As imagens poéticas de Yoko Ogawa para representar a fluidez permitem que o ausente seja também presente e a memória, imaginação
As três novelas do volume
A piscina / diário de gravidez / dormitório (Estação Liberdade, 168 pp, R$ 56 – Trad.: Eunice Suenaga), cada qual a seu modo, tocam em dois temas caros a Yoko Ogawa: memória e ausência. Em
A piscina, a jovem Aya precisa lidar com o amadurecimento que a deixa entre a lembrança de um passado mais simples, que fica para trás, e o vislumbre de um futuro complexo, difícil e sofrido. Amadurecer será para ela conciliar os novos sentimentos e uma época em que “não conhecia a tristeza nem a dor no coração”.
Diário de gravidez, é narrada mesmo em forma de diário pela irmã da grávida. Yoko Ogawa usa a força da sugestão para gerar algo que a um só tempo existe e não existe — uma versão literária do gato de Schrödinger, por assim dizer. Várias entradas do diário descrevem uma gravidez que parece um delírio. Mas, se é mesmo o caso, quem será que delira: a narradora, a irmã ou os leitores? Em
Dormitório, uma mulher retorna ao dormitório universitário em que viveu durante os tempos de estudante, nos arredores de Tóquio.