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Paulina Chiziane recebe o seu Prêmio Camões e pede por descolonização da língua portuguesa
PublishNews, Redação, 8/5/2023
Escritora foi a primeira mulher africana a receber a distinção, considerada a mais importante do mundo lusófono

Paulina Chiziane, vencedora do Prêmio Camões 2021 | © Fora do Eixo / Wikimedia Commons
Paulina Chiziane, vencedora do Prêmio Camões 2021 | © Fora do Eixo / Wikimedia Commons
A escritora moçambicana Paulina Chiziane recebeu na última sexta-feira (5) o seu Prêmio Camões, anunciado em 2021. A cerimônia foi realizada em Lisboa e em seu discurso a autora falou pela "descolonização da língua portuguesa".

Após citar alguns exemplos de palavras definidas no dicionário de forma diferente dos seus usos correntes – como "matriarcado", que aparece como "costume tribal africano" –, ela disse: "a língua portuguesa para ser nossa precisa de um tratamento, de uma limpeza, de uma descolonização", de acordo com o jornal português Diário de Notícias.

Vinda "de lugar nenhum", onde "aprendeu a escrever na areia do chão" e usou "o primeiro par de sapatos com 10 anos", a escritora disse estar "muito feliz" por receber o Prêmio Camões, "um prémio tão importante, exatamente no Dia Mundial da Língua Portuguesa".

"Para quem vem do chão, estar aqui diante do Governo português, do Governo brasileiro, do corpo diplomático e de várias personalidades é algo que me comove profundamente. Caminhei sem saber para onde ia, mas cheguei a algum lugar, que é este prémio", disse, antes de agradecer aos seus leitores, "em Moçambique e em todos os países que falam português".

Paulina Chiziane foi a primeira mulher africana a vencer o prêmio. Na época do anúncio, o júri destacou a vasta produção e a boa recepção crítica da sua obra, bem como seu reconhecimento acadêmico e institucional. A importância que Chiziane dá em seus livros aos problemas da mulher moçambicana e africana e seu trabalho de aproximação aos jovens também foram lembrados pelos jurados.

Paulina é hoje uma das vozes da ficção africana mais conhecida internacionalmente. Por aqui, a Dublinense lançou em 2018 O alegre canto da perdiz, que aborda a situação precária das negras em Moçambique, e a Companhia das Letras lançou nos últimos anos uma nova edição de Niketche: Uma história de poligamia, que conta a história de uma mulher que decide procurar as outras mulheres de seu marido, depois de descobrir que elas existem, e de Balada de amor ao vento. O próximo livro a chegar às livrarias é Ventos do apocalipse, também pela Companhia das Letras.

[08/05/2023 09:01:41]
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