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Os traumas transgeracionais do Holocausto
PublishNews, Redação, 05/04/2023
Novo romance de Jacques Fux, 'Herança' conta a história de três mulheres combatendo o sofrimento, o apagamento das narrativas e a violação da própria humanidade

Em Herança (Maralto, 224 pp, R$ 44,90), do autor mineiro Jacques Fux, os traumas do holocausto são relembrados e ressignificados por meio dos relatos de três gerações de mulheres. Utilizando recursos como diários e sessões de terapia, Fux mergulha o leitor nos acontecimentos de Auschwitz e oferece relatos comoventes sobre a universalidade de perguntas e ansiedades que acompanham a humanidade. “O livro mostra que o trauma pode passar de geração em geração se não for bem trabalhado”, explica Fux, que é pós-doutor em Literatura Comparada pela Universidade de Harvard (EUA).

Herança narra a história de uma família em três vozes: a de Sarah K., nascida em Lódz, na Polônia, em 1926; a de Clara K., nascida em São Paulo, em 1949; e a de Lola K., nascida no Recife, em 1984. Três gerações que dividem suas experiências com o Nazismo. Ao conhecer o diário de Sarah, o leitor partilha a descoberta do amor, ao mesmo tempo que assiste o terror da vida no gueto e o extermínio dos judeus. De Clara, filha de Sarah, será possível descobrir temas arraigados em suas sessões de psicanálise. Lola, neta de Sarah, filha de Clara – e mãe de Luiza – escreve notas do que aos poucos descobre sobre sua família, tomando a própria vida por esse prisma.

A obra – que chegou ao mercado editorial italiano em março – é resultado de seis anos de pesquisas sobre os diários de crianças que estiveram nos campos de concentração e extermínio e entrelaça realidade e ficção.


[12/04/2023 07:00:00]
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