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O romance da solidão humana
PublishNews, Redação, 08/08/2022
Em 'João Miguel', Rachel de Queiroz recria a vida de uma prisão numa pequena cidade do interior e mistura solidão e angústia ao contar a história do personagem

Em João Miguel (José Olympio, 160 pp, R$ 44,90), Rachel de Queiroz se revela a grande mestra na arte de criar personagens vivas, um João Miguel a tomar consciência do seu crime, uma Salu, um seu Doca, uma Angélica. A obra se liberta da sua própria autora e vive por si. João Miguel é um homem comum, sua mulher o abandona e ele se vê só diante do destino que o perturba. Zé Milagreiro, que está preso na mesma cadeia, mata o tempo a fazer ex-votos, milagres de madeira, que são encomendados por gente que deseja pagar promessas. A angústia da prisão, a tensão de João Miguel, treme nestas páginas. O trabalho reequilibra o preso. E com a mão assassina ele vai compondo os seus trabalhos manuais com a fibra de carnaúba. João Miguel é o romance da frustração e da espera angustiada. É um romance social, com um penetrante aprofundamento de análise psicológica no qual Rachel mistura fatalismo, acaso e injustiça social ao recriar a vida de uma prisão numa pequena cidade do interior.

[08/08/2022 07:00:00]
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