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A consignação e o mercado editorial: o que editores e livreiros pensam sobre o assunto?
PublishNews, Redação, 02/05/2022
Podcast do PublishNews ouviu diversos players do mercado para saber o que acham do modelo de vendas, o impacto para seus negócios e se é possível encontrar um novo modelo

O modelo de consignação surgiu no mercado do livro quando o Brasil enfrentava o problema da inflação que desvalorizava rapidamente o preço dos produtos. Nesse acordo, as editoras deixam os seus livros estocados nas livrarias e recebem só pelos exemplares que foram vendidos, num acerto muitas vezes mensal.

Para esse modelo dar certo, é preciso sempre uma boa administração – de ambas as partes, editoras e livrarias – além de uma comunicação aberta, para que, mais uma vez, os dois lados saiam ganhando.

Pouco tempo depois de implementado, a consignação se tornou reinante na relação entre editoras e livrarias. Mas será que ela é, realmente, a melhor alternativa? O mercado editorial é capaz de encontrar um novo modelo de vendas e ainda, se manter com uma nova dinâmica?

Essas perguntas começaram a ganhar mais destaque em março, quando a coluna Painel das Letras, da Folha, apurou que correria entre livreiros uma preocupação após sondagens da Companhia das Letras para abandonar o esquema de consignação.

Indo mais a fundo neste tema, o Podcast do PublishNews quis saber de livreiros e editores, o que eles pensam sobre esse modelo de negócio, se acham que é possível viver sem ele, o impacto que uma mudança dessa ordem causaria em seus negócios e ainda, se eles têm em mente, uma terceira via, um modelo híbrido ou outra solução para o mercado.

Ouvimos nomes como Marcos Pereira, da Sextante; Alexandre Martins Fontes, da Livraria Martins Fontes; Amauri Madeira, da Livraria Nobel de Petrópolis; Daniela Kfuri, da HarperCollins; Gorki Starlin, da Alta Books; Monica Carvalho, da Livraria da Tarde; João Varella, da Lote 42 e Banca Tatuí; e Samuel Seibel, da Livraria da Vila.

Nesse episódio eles dão suas opiniões, explicam como o modelo funciona para cada um deles e ainda analisam o mercado como um todo.

Para Marcos Pereira, por exemplo, "o modelo de consignação na verdade se intensificou no início do Plano Real, justamente quando as livrarias descobriram que ganhavam dinheiro com a desvalorização da moeda e tinham pouca preocupação com a gestão de compras. A iniciativa, liderada na época pela Companhia das Letras, permitiu ao varejo fôlego necessário para se reorganizar, mas nem todos sobreviveram, notadamente as redes Laselva, Siciliano, que foi comprada pela Saraiva em 2008, e posteriormente a própria Saraiva e a Cultura".

No episódio, Samuel Seibel complementa opinando que além da questão da inflação, a razão principal na época foi justamente criar bibliodiversidade nas livrarias. "Editoras que tinham cauda longa e que já sabiam que a estratégia da empresa era de tirar muitos títulos por mês perceberam que a consignação seria o melhor caminho para isso", contou.

O Podcast do PublishNews é um oferecimento da MVB, a empresa que torna os seus livros visíveis com serviços como Metabooks e Pubnet, e da UmLivro, novo modelo de negócios para o mercado editorial: mais livros e mais vendas. E conta também com o patrocínio da Alta Books, editora com mais de 20 anos no mercado e mais de três mil títulos publicados, com best-sellers nas temáticas de desenvolvimento pessoal, informática, finanças, entre outros. Atualmente, o foco da editora é o novo selo Alta Novel, com best-sellers internacionais de variados gêneros, como romance, fantasia, sci-fi, thrillers e mais.

Você também pode ouvir o programa pelo Spotify, iTunes, Google Podcasts, Overcast e YouTube.


Este é o Podcast do PublishNews e falamos aqui, toda semana, das últimas notícias do mercado editoral.

[02/05/2022 09:50:00]
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