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Autor timorense Luís Cardoso vence o Oceanos 2021
PublishNews, Talita Facchini, 08/12/2021
Luís é o primeiro autor do Timor-Leste a vencer o prêmio e leva para casa R$ 120 mil. O segundo lugar ficou com Edimilson de Almeida Pereira e o terceiro com Gonçalo M. Tavares

 Luís Cardoso | © Daniel Rocha / Oceanos - Itaú Cultural
Luís Cardoso | © Daniel Rocha / Oceanos - Itaú Cultural

O Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa anunciou na manhã desta quarta-feira (08), em uma cerimônia on-line, os vencedores da sua edição de 2021. O vencedor foi o autor timorense Luís Cardoso com o romance O plantador de abóboras, publicado em Portugal pela editora abysmo. Esta é a primeira vez que um livro do continente asiático figura entre finalistas e vencedores.

O júri ressaltou a destreza e a desenvoltura narrativa do autor na construção de uma história atravessada pela violência que marcou o passado colonial do Timor-Leste. Itamar Vieira Junior, na apresentação da obra vencedora destacou que o livro deixa muitas impressões nos leitores, sendo a primeira delas "no poder da linguagem". "É um romance que nos faz refletir também que a história de uma personagem nunca é solitária, é uma história que carrega consigo a história de sua comunidade, de seu povo e, neste caso, a história de um país, o Timor-Leste”.

Com uma narradora feminina, a obra permeia a história do Timor-Leste durante 100 anos, passando pela Guerra de Manufahi, a ocupação japonesa no Timor e a guerra contra a ocupação militar da Indonésia no país.

Ao falar sobre o livro, em seu agradecimento, Luís revelou que a abóbora que dá título a sua obra é uma metáfora e fez um apelo: "por favor, voltemos a plantar abóboras, voltemos a plantar tudo aquilo que pode dar sustentação ao nosso povo".

O segundo lugar ficou com o romance O ausente (Relicário), de Edimilson Almeida Pereira. A obra é o primeiro volume da trilogia Náusea, que inclui também Um corpo à deriva (Edições Macondo), que foi semifinalista do Oceanos, e Front (Editora Nós), vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2021. O ausente traz uma narrativa que retrata os embates dos personagens entre as exigências do destino e a ânsia da liberdade. Para o júri, trata-se de um livro que rompe as fronteiras entre prosa e poesia, um exímio trabalho com a linguagem e com as inúmeras possibilidades de subvertê-la.

E o terceiro lugar ficou com O osso do meio (Relógio D’Água), de Gonçalo M. Tavares, que se passa num pós guerra e fala sobre o mal, o medo e violência. Gonçalo já venceu o Oceanos em duas ocasiões, em 2007 (Jerusalém) e 2011 (Uma viagem à Índia). De acordo com o júri, Gonçalo M. Tavares retoma neste livro a perspectiva da violência – da escrita e do tema – e concebe um texto duro, de muita contenção.

O valor total da premiação é de 250 mil reais, sendo R$ 120 mil para o primeiro colocado, R$ 80 mil para o segundo e R$ 50 mil para o terceiro.

Este ano o Oceanos avaliou 1.835 publicadas em dez países. Foram 337 editoras participantes e 342 obras independentes, representando 18,6% do total das inscrições – um aumento de mais de 100% em relação à edição anterior do prêmio.

[08/12/2021 10:30:00]
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