Organizado em contos mais extensos, curtos e curtíssimos,
A pupila é preta (Malê, 108 pp, R$ 42) é um livro que expõe as fricções das relações raciais no Brasil, se atendo, principalmente, aos afetos que o racismo inaugura, aprisiona ou encerra. Com emotividade, ironia e humor, Cuti – pseudônimo de Luiz Silva – parece ter um alvo definido, os “pontos existenciais de interrogação no fundo negro das pupilas de cada um”. No conto
Abraço no espelho, o processo de formação da identidade da personagem Delinda se explicita na transição estética capilar. Já no conto
Suicídio, o autor explora diversas dimensões da morte, a simbólica, emocional e a física. Mas embora lance luz sobre o que há de perverso e ridículo no pensamento racista, o foco principal de
A pupila é preta está nas relações afetivas.