Publicidade
Não comprem e-books, nem audiobooks
PublishNews, Camila Cabete, 24/05/2021
Pra quem pensa que e-book e audiobook são iguais ao livro impresso, Camila Cabete recomenda: 'o livro digital não é pra você, incentive as livrarias independentes'

Isso não é um clickbait... é verdade esta coluna.

Acho que este conselho serve pra todo mundo que pensa que e-book e audiobook são iguais ao livro impresso. Não é, nunca vai ser e nunca teve esta intenção.

Os livros digitais chegaram para suprir uma demanda e para atender um certo grupo, que sim, pode ser muito amplo. Mas se você comprar conteúdo digital esperando ter a mesma experiência de um livro físico, não compre. Você vai se decepcionar e acabar fazendo um desserviço a este tipo de produto. E qualquer torcida contra a leitura, seja ela em qual formato for, é um tiro no pé em nosso mercado.

Agora... caso você precise de um livro que requer a leitura imediata, ou que ele está muito caro por ter que importar, ou se quer ouvir enquanto faz uma longa viagem ou caminhada, ou ainda se não tiver mais espaço pra tanto livro em casa, pode ser que o conteúdo digital sirva pra você. Indo além: se você trabalha numa empresa e quer comprar algum livro para seus funcionários, sem ter que lidar com a logística de receber caixas e enviar a residência de cada executivo que está home office, logística reversa e tudo mais: pense no digital.

Mas, em qualquer um dos casos acima, não ache que está comprando um software, ou um livro impresso. Você terá que lidar com instruções de uso e redirecionamento de problemas para a central de ajuda do site que escolheu comprar. Mas ainda assim vai ter que lidar com seus clientes internos. Não ache que digital é automático, sem problemas e sem necessidade de estrutura. Se você acha isso, o e-book e audiobook não vão suprir as suas expectativas. E você vai ficar falando mal de uma estrutura que simplesmente não serve pra você.

Tudo no mundo digital também requer infraestrutura. Você não vai ter uma coisa pronta ao estalar dos dedos. Lembra quando começou a usar o Instagram e Facebook? Tem redes sociais que você nem tentou entrar porque achou complicado demais.... pense no livro digital, conteúdo digital como mais uma estrutura que precisa aprender a usar.

Se você ama conteúdo, independente do formato e não tem a fantasia de que digital é automático e de graça, onipresente e perfeito, este tipo de conteúdo é para você. Você tem uma livraria de milhões de títulos dentro do seu celular. Mas não romantize, seja realista e caso entenda que o livro digital não é pra você, incentive as livrarias independentes.

Camila Cabete (@camilacabete no Twitter e Instagram) tem formação clássica em História. Foi pioneira no mercado editorial digital no Brasil. É a nova Head de Conteúdo da Árvore e a podcaster e idealizadora do Disfarces Podcast.

Link para o LinkedIn

camila.cabete@gmail.com (Cringe!)

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

[24/05/2021 09:50:50]
Leia também
Qualquer passo é melhor do que se fechar na negação ou ficar girando em círculos de demonização do novo
Em novo texto, Camila Cabete fala sobre a importância de se abrir para o novo e entender antes de julgar
Em novo artigo, Camila Cabete compartilha o que viu e ouviu durante sua primeira visita aos Emirados Árabes Unidos
Em sua coluna, Camila Cabete fala sobre os recentes avanços tecnológicos e reforça que antes de criticar, é preciso se aprofundar no assunto
Em nova coluna, Camila Cabete explica como funciona uma Edtech, como é chamada uma empresa de tecnologia com missões ligadas à educação
Outras colunas
Com base no artigo do italiano Luciano Floridi, Fernando Tavares escreve sobre o processo de mudança na 'carpintaria' da escrita
Espaço publieditorial reúne informações sobre livros lançados de forma independente ou autopublicados
Livro de Luciane Mustafá propõe um gesto simples e profundamente transformador
Contos abordam temas universais do universo feminino, como autoestima, relações afetivas, identidade, limites, espiritualidade, culpa, expectativas sociais e autoconhecimento
Narrativa de Luciane Mustafá é marcada por introspecção, memória afetiva e reflexões que dialogam com espiritualidade, psicologia e autoconhecimento