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No mundo das memórias perdidas
PublishNews, Redação, 17/05/2021
'A polícia da memória', finalista do International Booker Prize 2020 e do National Book Awards 2019, foi traduzido em diversos idiomas e, mais uma vez, marca o talento da escritora contemporânea Yoko Ogawa

Em A polícia da memória (Estação Liberdade, 320 pp, R$ 65 – Trad.: Andrei Cunha), a escritora japonesa Yoko Ogawa conduz o leitor ao mundo das memórias perdidas. Uma ilha é vigiada pela “polícia secreta”, que busca e elimina vestígios de lembranças. Objetos, espécies e até famílias inteiras somem sem deixar traços, sem que as pessoas sequer se atentem, ou percebam os desaparecimentos. Na trama, uma escritora tenta manter intactos resquícios de histórias, de algo que possa permanecer. Não é fácil, já que tudo ao redor desaparece, e ela não pode contar sequer com a própria memória. O leitor é convidado, instintivamente, a acessar o seu próprio arcabouço de lembranças e percorre uma jornada de recordações que também gostaria de preservar. Algo que tem se tornado familiar na atualidade, e a todos que têm criado um novo mundo, já que o anterior, pré-pandemia, não mais existe, e nunca será como antes. Há ainda uma pergunta que circunda toda a narrativa: se pudesse, o que você preservaria intacto, e não perderia da memória? O livro foi finalista do International Booker Prize 2020 e do National Book Awards 2019 e já foi traduzido em diversos idiomas.

[17/05/2021 07:00:00]
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