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A arquitetura e o olhar de Lina Bo Bardi
PublishNews, Redação, 12/05/2021
Livro do crítico Francesco Perrotta-Bosch examina a trajetória da artista sob a seguinte questão: como uma estrangeira foi capaz de enxergar tanto de um país que não era o seu, a ponto de traduzi-lo para os próprios brasileiros?

Poucas figuras públicas foram mais brasileiras do que a arquiteta italiana Lina Bo Bardi. Chegando ao Brasil logo após a Segunda Guerra, ela se afeiçoou à cultura brasileira de tal maneira que se tornou uma de suas principais intérpretes, capaz de uma leitura das tradições locais ao mesmo tempo rigorosa e abrangente. O crítico de arquitetura Francesco Perrotta-Bosch examina na obra Lina: uma biografia (Todavia, 576 pp, R$ 89,90) a trajetória dessa artista à luz da seguinte questão: como uma estrangeira foi capaz de enxergar tanto de um país que não era o seu, a ponto de traduzi-lo para os próprios brasileiros? Lina tinha horror à oficialidade e aos ritos sociais da vida burguesa. Foi comunista, teve papel importante no combate ao regime militar, mas era também a senhora de uma majestosa casa modernista no Morumbi e esposa de Pietro Maria Bardi, o todo-poderoso escolhido por Assis Chateaubriand para criar e gerir o Museu de Arte de São Paulo. Com base em pesquisa extensa, minucioso levantamento de fontes inéditas, calcado em dezenas de entrevistas, bibliografia brasileira e italiana, mas sobretudo narrado com leveza e numa estrutura temporal engenhosa, este livro leva ao limite as possibilidades do gênero biográfico.

[12/05/2021 07:00:00]
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