'As inseparáveis' conta a história da amizade passional que uniu Sylvie e Andrée e é considerada uma história fundamental para a formação da autora
Em 1954, cinco anos após a publicação de
O segundo sexo, Simone de Beauvoir escreveu
As inseparáveis (Record, 152 pp, R$ 39,90 - Trad.: Ivone Benedetti), o romance autobiográfico que conta a história da amizade passional que uniu Sylvie (Simone de Beauvoir) e Andrée (Élisabeth Lacoin, a Zaza). As duas se conhecem aos nove anos no colégio Desir, numa Paris em meio à Primeira Guerra Mundial. Andrée é divertida, impertinente, audaciosa; Sylvie, mais tradicional e tímida, logo se sente irremediavelmente atraída por ela. No entanto, por trás da postura rebelde, Andrée tem de lidar com uma família católica fervorosa que, com suas tradições muito rígidas e ambiente opressor, está disposta a esmagar qualquer expressão de individualidade. Juntas, elas trilham o caminho para se libertar das convenções de sua época e das expectativas asfixiantes, mas não fazem ideia do preço trágico que terão de pagar pela liberdade e pelas ambições intelectuais e existenciais.
As inseparáveis relata as experiências que fundamentaram a revolta e a obra da filósofa francesa: sua emancipação e o antagonismo entre intelectuais e conservadores. Também retrata e denuncia uma sociedade hipócrita e fanática. A obra contém ainda fotos pessoais e cartas trocadas entre as duas amigas, além de introdução de Sylvie Le Bon de Beauvoir.