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Cartas para Carolina Maria de Jesus
PublishNews, Redação, 30/03/2021
Lançamento da Todavia reúne cartas que a antilhana Françoise Ega escreveu à escritora brasileira

A antilhana Françoise Ega trabalhava em casas de família em Marselha, na França. Um de seus pequenos prazeres era ler a revista Paris Match, na qual deparou com um texto sobre Carolina Maria de Jesus e seu Quarto de despejo. Identificou-se prontamente. E passou a escrever "cartas" – jamais entregues – à autora brasileira. Nelas, relatava seu cotidiano de trabalho e exploração na França, as dificuldades, a injustiça nas relações sociais, a posição subalterna (e muitas vezes humilhante) a que eram relegadas tantas mulheres como ela, de pele negra e originárias de uma colônia francesa no Caribe. Quando morreu, em 1976, era um nome importante na sociedade civil francesa. Cartas a uma negra (Todavia, 256 pp, R$ 59,90 – Trad.: Vinicius Carneiro e Mathilde Moaty), publicado postumamente, é um dos documentos literários mais significativos e tocantes sobre a exploração feminina e o racismo no século XX. Entre seus personagens, além das babás, empregadas domésticas e faxineiras, estão também as autoritárias (e tacanhas) patroas e seus filhos mimados. A tensão principal se dá na relação entre patroas e empregadas: a atitude imperial de umas e a completa falta de direitos das outras. São histórias por vezes chocantes de trabalhadoras sem acesso a saúde, férias ou mesmo a uma moradia minimamente confortável.

Tags: Todavia
[30/03/2021 07:00:00]
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