Editora 34 publica primeira tradução direta de 'O rei Lear da estepe'. Jéssica Farjado assina a versão em português.
Atento ao que havia de mais original na cultura europeia de seu tempo, mas com os afetos e a sensibilidade ancorados na realidade russa, Ivan Turguêniev (1818-1883), um dos grandes mestres da ficção do século XIX, produziu uma obra que se tornaria modelo para um sem-número de escritores em todo o mundo. Em
O rei Lear da estepe (Editora 34, 136 pp, R$ 46 – Trad.: Jéssica Farjado), publicado originalmente em 1870, ele parte da conhecida tragédia de Shakespeare, na qual o soberano, com idade avançada, abre mão de seu reino para legá-lo às filhas, mas ambienta a história na pequena propriedade rural de uma província russa. Para reconstruir a trama da corte inglesa no campo povoado por senhores, servos, agregados e trabalhadores pobres, Turguêniev lançou mão, de suas próprias experiências de juventude, retomando o que havia feito em
Memórias de um caçador (1852). O resultado é uma obra com vida própria, repleta de enigmas e sutilezas que, 150 anos após a sua primeira publicação, ainda desafiam a interpretação e mantêm o leitor intrigado da primeira à última página. O volume traz a primeira tradução direta da novela no Brasil e inclui ainda o
Discurso sobre Shakespeare de Turguêniev, proferido no tricentenário do dramaturgo inglês, e um posfácio da tradutora Jéssica Farjado.