'De cor da pele' traz um trabalho artístico construído ao longo de mais de 15 anos pela artista visual Denise Camargo
Mais de 300 anos de escravidão legaram ao Brasil uma sociedade em que o racismo se infiltra no cotidiano das maneiras mais perversas. Do lápis de pintar usado na escola aos termos com os quais as pessoas se autodefinem, resultante da gama de tons que a mestiçagem – reconhecida ou não – produz, a beleza da cor e da diversidade só agora começa a ser notada. O livro
De cor da pele (Jandaíra, 88 pp, R$ 30) traz um trabalho artístico construído ao longo de mais de 15 anos. Uma instalação, uma performance, uma exposição de fotos – o que começou com a indignação de uma mãe-artista se transformou em um projeto muito além das palavras e das imagens. A situação se colocou para a artista visual Denise Camargo com seu filho, que a despertou para o racismo estrutural que ela mesma ainda só intuíra. E do questionamento inicial de um lápis de cor surgiu
De cor da pele, projeto artístico multilinguagem, exposto e exibido no SESC Presidente Dutra e no Museu Nacional em Brasília, e em vários outros espaços pelo Distrito Federal, em novembro e dezembro de 2019. Não à toa, são mães as mulheres retratadas na obra – mães que se abrem à fotógrafa e assumem um protagonismo ao qual muitas não estão acostumadas – pelo menos diante do público.