Publicidade
‘Diário da catástrofe brasileira’
PublishNews, Redação, 13/07/2020
Ricardo Lísias traz uma análise sobre o último ano do Brasil a partir do momento da eleição presidencial

Ainda na noite de 28 de outubro de 2018 — quando 57 milhões, 796 mil e 986 brasileiros depositaram na urna o voto em um candidato que havia feito declarações racistas, machistas e homofóbicas e elogiado abertamente torturadores e a ditadura militar —, o escritor Ricardo Lísias começou este Diário da catástrofe brasileira (Record, 352 pp, R$ 62,90), que, obsessivamente, não largou até hoje. No livro ele registra que, pouco mais de um ano depois, a polícia tornou-se ainda mais violenta, casos de censura voltaram às artes, o Brasil virou motivo de piada no mundo, o desmatamento atingiu índices mais do que alarmantes, centenas de agrotóxicos foram liberados para uso, a população é estimulada a não acreditar em dados científicos, a agressão à imprensa por parte do governo é corriqueira e a economia, vejam só, continua em crise. O leitor encontrará na obra uma análise do material de campanha que circulou ainda antes de 2018 e que até agora não foi bem-avaliado. O texto alterna momentos de assombro, outros de indignação, sem perder em nenhum momento a coerência e a necessidade (que ele parece entender como uma obrigação) de achar sentido para o sucesso daquele que foi, nas palavras de Lísias, "o pior candidato da história eleitoral brasileira".

[13/07/2020 07:00:00]
Matérias relacionadas
Obra é considerada a magnum opus do autor, em que ele mobiliza os conceitos desenvolvidos por seu círculo nos anos 1920 e 1930
Jornalista mostra em 'O século nômade' ​o caráter essencial da migração e a contribuição dos deslocamentos para a complexidade humana ao longo dos séculos
Livro de André Dias Carneiro estuda como a informação acabou por ocupar o lugar central nos principais aspectos da vida humana
Leia também
Autora brasileira entrega um romance juvenil sobre a arte de se reconstruir quando tudo parece desabar
'O castelo de vidro' apresenta uma trama no Paris pós Segunda Guerra
Os anfitriões, ambos imigrantes russos de meia idade, são um escritor com o prestígio em declínio e sua esposa psiquiatra