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A infância de Perec e o reflexo disso na sua obra
PublishNews, Redação, 16/04/2019
Em novo livro, Jacques Fux faz um ensaio sobre os traumas de infância vividos pelo autor francês e como isso influenciou a sua obra

Georges Perec nasceu em 1936, na cidade de Paris, onde viveu a maior parte de sua vida, e morreu em Ivry, 46 anos depois. Seu pai lutou na Segunda Guerra Mundial, sendo morto em 1940, e sua mãe morreu em Auschwitz. Perec, órfão aos cinco / seis anos, foi criado por parentes próximos. Ele viveu só, angustiado e saudoso, buscando alguma memória do pouco convívio que teve com a família e passou a brincar com um suposto controle matemático na literatura. Perec cria um mundo particular e obsessivo para não lidar diretamente com o trauma – com a imagem sempre presente da ausência de seus pais – e usa a matemática e os jogos buscando colocar a literatura em um lugar sem conexão com a dor. Assim, buscando as inacessíveis certezas matemáticas, Perec escreve La Disparition, um livro com mais de 300 páginas em que nunca aparece a letra ‘e’ – uma regra conhecida como lipograma –, a mais frequente da língua francesa. Ele dizia que, ao se ver privado pelos nazistas do convívio com as pessoas mais importantes do mundo (père e mère), teria também que ser capaz de escrever um livro sem a letra mais importante do alfabeto. Este é o tema central de Georges Perec: A psicanálise nos jogos e traumas de uma criança de guerra (Relicário, 140 pp, R$ 38) ensaio de Jacques Fux: como, mesmo destituído de si e sob o trauma do pior capítulo da história mundial, Georges Perec é capaz de conceber um projeto literário ousado e brilhante.

Tags: Relicário
[16/04/2019 07:00:00]
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