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Foi plágio ou não foi plágio, mr. Hitchcock?
PublishNews, Leonardo Neto, 20/02/2019
Editora resgata obra de Carolina Nabuco escrita em 1938 que guarda extraordinárias coincidências com livro que deu origem ao filme que deu a Hitchcock o seu único Oscar de Melhor Filme

Carolina Nabuco em 1959 | © Arquivo Nacional / WikiCommons
Carolina Nabuco em 1959 | © Arquivo Nacional / WikiCommons
Em 1934, Carolina Nabuco, filha do diplomata e cofundador da Academia Brasileira de Letras, Joaquim Nabuco, escreveu o livro A sucessora, que logo alcançou um sucesso de público no Brasil. Diante disso, ela resolveu traduzir o livro para o inglês e enviar a tradução a seus agentes internacionais. O contrato para edição no estrangeiro nunca chegou, mas a história de A sucessora estava só no seu começo.

O livro dá voz a uma protagonista feminina: Mariana, uma jovem recém-casada que após uma romântica lua-de-mel, muda-se para a mansão do marido, o milionário Roberto Steen. Ao entrar em sua nova residência, depara-se com um imponente retrato de Alice, a primeira mulher de Roberto, falecida poucos meses antes de Marina e ele se conhecerem. Ela é então invadida por sentimentos de insegurança e inadequação.

Em 1938, do outro lado do Atlântico, a escritora britânica Daphne du Maurier assinava a publicação de Rebecca. Em 1940, uma adaptação cinematográfica de Rebecca, pelas mãos de Alfred Hitchcock, abria o Festival de Cinema de Berlim e concorria, em 11 categorias, o Oscar, conquistando duas estatuetas do prêmio, incluindo a de melhor filme. A película era estrelada por Joan Fontaine e Laurence Olivier, que também concorreram ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Ator, respectivamente.

Com o sucesso do filme, o caso de possível plágio ganhou os jornais brasileiros e logo chegou aos EUA. Em 1941, o New York Times Book Review publicava uma matéria apontando uma coincidência "extraordinária" entre os livros da britânica e da brasileira.

A atriz Susana Vieira viveu Mariana na TV | © Reprodução
A atriz Susana Vieira viveu Mariana na TV | © Reprodução

Nas suas memórias, Carolina lembra que os advogados da produtora do filme procuraram a representação legal de Carolina no Brasil para que ela assinasse um documento admitindo a possibilidade de haver uma mera coincidência, mediante uma quantia em dinheiro que ela descreve como sendo "de valor considerável". Ela não aceitou o acordo, mas também não consta que processou os envolvidos pelo plágio.

No Brasil, A sucessora ganhou uma adaptação para a tevê feita por Manoel Carlos, com a atriz Susana Vieira interpretando Mariana. O folhetim ocupou a faixa das 18h da TV Globo entre 1978 e 1979 e chegou a ser vendida para cerca de 50 países, entre eles Angola, Holanda, Itália e Suíça, onde foi exibida mais de duas vezes, segundo consta nos arquivos da Memória Globo.

Agora, 40 anos depois do sucesso da novela e mais de 80 anos da publicação do livro, os leitores brasileiros terão a chance de ler (ou reler) A sucessora (200 pp, R$ 44,90). É que a editora Instante resolveu colocar no mercado uma nova edição do livro de Carolina Nabuco. Silvio Testa, editor da casa, explica os motivos que o fizeram resgatar a obra: "O ponto de partida do livro é o sentimento de inadequação da mulher na década de 1920. É uma coisa que acontece até hoje. Além disso, Carolina é a voz de uma das primeiras mulheres escritoras do Brasil. Esse momento, em que a gente tem uma grande valorização da escrita feminina, seria o ideal para resgatar essa voz".

O volume, selecionado para o PNLD Literário, recebeu prefácio de Mauro Alencar.

Tags: Instante, romance
[20/02/2019 07:00:00]
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