Redigido no século IV, entre Antiguidade e Idade Média, as
Confissões (Penguin / Companhia das Letras, 440 pp, R$ 34,90), de Santo Agostinho, é ainda hoje um livro interessante. Por um lado, pela densidade poética e pela originalidade da escrita, e por inaugurar o gênero da autobiografia como história da formação de uma personalidade, o livro representa um marco na história da literatura ocidental. Por outro, Agostinho elabora nas suas confissões uma nova maneira de fazer filosofia, estranha à tradição antiga, por ser baseada não apenas em conceitos abstratos e deduções, mas sobretudo na observação fina dos movimentos psicológicos, das motivações interiores e do significado de pequenos fatos e gestos cotidianos. O livro narra a vida do autor e fala sobre suas crises até chegar à conversão e acabou por agradar a todos os que se interessam por filosofia, história ou religião.