Escolhido como livro do ano de não ficção do Prêmio Jabuti, livro reconstrói a memoria cultural do país
O samba resistiu a décadas de racismo e preconceito
estético, e se tornou parte inextrincável da identidade nacional brasileira. Em
Dicionário da história social do samba
(Civilização Brasileira / Record, 335 pp, R$ 55), obra de referência pioneira e
escolhida como livro do ano de não ficção do Prêmio Jabuti, Nei Lopes e Luiz
Antonio Simas inscrevem o valor da negritude e da história dos negros na
criação e na fixação do samba, e a ambígua inserção dessa cultura musical na
sociedade de consumo. Mais do que apenas descrever conceitos, os autores
reconstroem a memória cultural de nosso país. Os verbetes organizam a trama que
compõe o enredo dessa narrativa: a repressão explícita dos primeiros tempos; as
escolas de samba, os pagodes e rodas como polos de resistência; a distribuição
geográfica desses espaços; o samba como gênero de música popular, com seus
múltiplos e diversos subgêneros e estilos e suas diferenças regionais. E,
principalmente, destacam os nomes fundamentais que fizeram essa história:
compositores, instrumentistas, regentes, cantores, dançarinos, cenógrafos,
diretores, entre outros.