Cientistas políticos traçam radiografia dos descaminhos e das potencialidades da democracia
Embora sua definição clássica seja “governo do povo”, a
democracia sempre manteve uma relação ambígua com a igualdade. Dessa
perspectiva, a obra
Desigualdade e
democracia
(Editora Unesp, 436 pp, R$ 64), com organização de Luis Felipe
Miguel, busca debater não apenas as maneiras de enquadrar a questão das
desigualdades, mas as diversas compreensões do significado e do alcance da
democracia. Se na Grécia Antiga imperavam múltiplas exclusões, nos regimes
contemporâneos a extensão da cidadania convive com o alcance reduzido da
vontade popular, cujas decisões influem menos nos rumos da vida coletiva. Para
refletir sobre essas e outras questões, os ensaios presentes no livro desvelam
uma radiografia plural com textos que não só apresentam possíveis enquadramentos
das “desigualdades”, mas também propõem uma reflexão abrangente sobre os
diversos significados do que se entende por “democracia”.