Coletânea retrata multiplicidade de conde italiano que viveu e morreu na Amazônia
Livro ilustra os vários perfis e atuações de Ermanno Stradelli, que desempenhou nos séculos XIX e XX um delicado papel de intérprete e revelador das culturas indígenas amazônicas

Um conde italiano vai viver na Amazônia movido pela sua curiosidade e se torna um perspicaz fotógrafo, etnógrafo, colecionador, dicionarista, tradutor, desbravador de mitos, geógrafo e até jurista. Tal roteiro, digno de filme, protagonizado por Ermanno Stradelli, que atravessou o Atlântico com suas inúmeras práticas refinadas de europeu culto para mergulhar, em 1879, nas profundezas apaixonantes e sinuosas da floresta amazônica. Em homenagem aos 90 anos de sua morte, a Editora Unesp lança, com o apoio do Istituto Italiano di Cultura de São Paulo, o livro A única vida possível: itinerários de Ermanno Stradelli na Amazônia (Unesp; 256 pp., R$ 54), organizado pela pesquisadora Livia Raponi e que conta com ensaios de especialistas brasileiros e italianos de diferentes áreas disciplinares. Entre os séculos XIX e XX, Stradelli estudou e registrou em fotos, mapas e dicionários, povos e línguas indígenas e a geografia da Amazônia. Este trabalho possibilitou ao público do Brasil e da Itália conhecer as peculiaridades da região.