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2006 – 2015: a década perdida
PublishNews, Leonardo Neto, 25/08/2016
Levantamento da Fipe comprova o que o PublishNews já tinha demonstrado: nesse período, mercado editorial teve performance inferior à do PIB do país

Um evento na manhã da última quarta-feira, no Rio de Janeiro, fez um apanhado de dados da série histórica da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, mais conhecida pelo setor como Pesquisa Fipe. A pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), que sediou o evento, e da Câmara Brasileira do Livro (CBL), a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) compilou, pela primeira vez, números revelados pela pesquisa entre 2006 e 2015, que, juntos, dão um panorama da atividade editorial no país nos últimos dez anos.

Os dados foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) e trazidos a valores de 2015. Para Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL e membro da comissão de pesquisa desde 2000, o dossiê elaborado pela Fipe possibilita um entendimento mais apurado sobre a indústria do livro através de uma base comparativa sólida. “Nosso objetivo principal é oferecer uma série definitiva sobre esse período, que sirva como documento estatístico e histórico para consultas futuras”, comentou.

Acompanhando a análise já feita pelo PublishNews, o levantamento mostra que as vendas de livros de todos os subsetores do mercado – Didáticos, Obras Gerais, Religiosos e Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP) – apresentaram performance inferior à do PIB do país, no período entre 2006 e 2015. “Em cada um deles, foi possível medir a participação do governo no mercado, os índices de faturamento, o número de exemplares e, por fim, verificar qual foi a evolução do setor geral em relação à economia do país. Dada a grande carência de leitura no Brasil, esperávamos que a indústria livreira andasse minimamente alinhada com o PIB, o que não aconteceu”, comentou o presidente do SNEL.

O estudo aponta que o segmento Obras Gerais, o mais afetado, sofreu duas quedas bruscas na última década – entre 2009 e 2011 (24,6%) e de 2014 para 2015, quando encolheu 22,8%. A análise feita pelo PublishNews em junho passado já apontava esse fenômeno. As compras do Governo, que chegaram a representar 18% do faturamento nesse segmento, caíram para menos de 5% em 2015, com a suspensão dos programas de bibliotecas escolares.

Evolução do faturamento real (vendas ao mercado) do segmento de obras gerais | fonte: Fipe
Evolução do faturamento real (vendas ao mercado) do segmento de obras gerais | fonte: Fipe
Já o subsetor Didáticos, como pode ser observado no gráfico abaixo, ficou praticamente estável ao longo destes 10 anos. É o segmento com maior participação do Governo, que chegou a representar 50% do faturamento e 2/3 do volume de exemplares.

Evolução do faturamento real (vendas ao mercado) do segmento de didáticos | fonte: Fipe
Evolução do faturamento real (vendas ao mercado) do segmento de didáticos | fonte: Fipe
Os livros Religiosos apresentaram o melhor desempenho entre os quatro segmentos analisados no levantamento. Entre os anos de 2006 e 2010, os livros desse gênero acompanharam um movimento mais amplo da economia e representaram a única fatia do setor editorial que conseguiu exibir índices um pouco acima do PIB, nos anos de 2008 e 2010.

Evolução do faturamento real (vendas ao mercado) do segmento de obras religiosas | fonte: Fipe
Evolução do faturamento real (vendas ao mercado) do segmento de obras religiosas | fonte: Fipe
As obras Científicas, Técnicas e Profissionais (CTP) ganharam a medalha de prata e apareceram como o segundo melhor subsetor em termos de desempenho. A Fipe credita o desempenho à ampliação das vagas de nível superior no sistema educacional brasileiro (o número de estudantes brasileiros praticamente dobrou entre 2001 e 2011). O segmento apresentou um expressivo crescimento (de 20%) em 2011 e manteve-se praticamente constante, em nível mais elevado, entre os anos de 2011 e 2014.

Evolução do faturamento real (vendas ao mercado) do segmento CTP | fonte: Fipe
Evolução do faturamento real (vendas ao mercado) do segmento CTP | fonte: Fipe

Durante a década, a Fipe notou ainda uma queda significativa no preço médio do livro vendido no mercado. Ao comparar os valores de 2006 com os apurados em 2015, o instituto observou uma redução de 36% no preço do setor como um todo. Novamente, o subsetor de Obras Gerais foi o mais afetado. Nesse segmento, os preços de seus exemplares tiveram queda real de 45%.

O mesmo evento realizado no Rio será repetido em São Paulo, dentro da programação da Bienal Internacional do Livro. O encontro com a professora Leda Paulani e a economista Mariana Bueno – responsáveis pela pesquisa – acontece no dia 28, às 10h30, no Espaço Ignácio de Loyola Brandão.

Clique aqui para ter acesso à íntegra do estudo e às suas tabelas.

[25/08/2016 07:47:00]
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