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Consolidação, cancelamentos e atrasos marcaram 2015 das editoras
PublishNews, Leonardo Neto, 21/12/2015
Criação do Grupo Companhia das Letras, compra da Saraiva pela Somos Educação, fim da Cosac e cancelamento de prêmio, evento e compras governamentais deram o tom do ano

Eduardo Mufarej, à frente da Somos Educação, liderou uma das mais importantes movimentações do ano no mercado editorial brasileiro | © Divulgação
Eduardo Mufarej, à frente da Somos Educação, liderou uma das mais importantes movimentações do ano no mercado editorial brasileiro | © Divulgação
É chover no molhado dizer que 2015 foi um ano difícil para quem trabalha com livros, mas foi também um ano cheio de movimentações importantes no mercado editorial brasileiro. O ano começou com uma boa notícia para a Companhia das Letras, que, em janeiro, atravessou o Atlântico e aportou em Portugal, tornando-se lá na Terrinha um selo da Penguin Random House. Foi a Companhia, aliás, que encabeçou um movimento forte de consolidação do mercado brasileiro em 2015. Em abril, foi concluída a integração com a Objetiva e foi formado o Grupo Companhia das Letras, com 19 selos e a promessa de lançar 45 por mês. Na tarde da última terça-feira (21), a empresa comandada por Luiz Schwarcz anunciou que perpetuará alguns títulos deixados pela Cosac Naify.

Antes disso, em fevereiro, a família Civita até então controladora da Abril Educação, vendeu a empresa ao grupo de investimentos Thunnus Participações, sociedade controlada por fundos sob gestão da Tarpon Gestora de Recursos. Essa investida engatilhou uma série de ações que culminaria, em junho, com a compra dos ativos editoriais da Saraiva pela Abril Educação, que passou a se chamar Somos Educação.

Outro grupo que se fortaleceu com esse movimento de consolidação do mercado editorial brasileiro foi o Gen. Em janeiro, comprou parte do catálogo nos segmentos de concursos, idiomas e jurídicos que faziam parte da Elsevier e, em julho, comprou a Atlas.

Foi em agosto que a HarperCollins, associada ao Grupo Ediouro, fincou os dois pés no País e criou aqui a HarperCollins Brasil, somando o catálogo comercial da Ediouro, os títulos da Harlequin e da Thomas Nelson Brasil, além da possibilidade de publicar por aqui os títulos globais da editora.

Nenhuma dessas notícias, no entanto, ganhou tanta repercussão quanto o anúncio do fim da Cosac Naify feito por Charles Cosac, um dos sócios da empresa, em dezembro. Aliás, 2015, foi pautado muito pelas palavras “fim” e “cancelamento”. Um dos cancelamentos mais sentidos e lamentados foi o da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo em maio. Logo depois, ainda no calor da suspensão da Jornada, apareceram os primeiros sinais do cancelamento do prêmio Portugal Telecom. De fato, ele foi descontinuado em 2015, mas sua curadora Selma Caetano, em parceria com o Itaú Cultural, reanimou o prêmio, que voltou com novo nome. O fim da tradicional Livraria Leonardo Da Vinci também causou comoção em 2015.

As compras governamentais, que em 2014 já tinham encolhido, andaram na corda bamba durante todo o ano de 2015. Rumores do cancelamento do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) fizeram as entidades do livro assinarem um manifesto durante a Flip. Não foi suficiente. O PNBE, que em 2014 comprou 19.394.015 exemplares, totalizando investimento de R$ 92.362.863,86, realmente naufragou nesse ano de 2015, deixando na mão muitos editores que contavam com esse reforço no seu faturamento. A suspensão do PNBE não foi a única baixa governamental do ano. Em junho, o governo paulista anunciou que o seu programa Leituras na Escola estava suspenso em nome da crise financeira e ajustes nas contas do governo. Em agosto, no entanto, o governo federal anunciou a compra de 9,9 milhões de exemplares para o PNLD 2016 Campo, um volume recorde dentro do programa destinado à escolas rurais espalhadas pelo Brasil. A notícia que parecia boa logo se tornou um pesadelo para editores que tinham negociado a venda com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). É que os atrasos nos pagamentos deixaram muitas editoras de cabelo em pé. De acordo com a Associação Brasileira dos Editores de Livros Escolares (Abrelivros), o atraso chegou a R$ 468 milhões em novembro. “Estamos muito preocupados, todo o fôlego que a indústria tinha acabou. A pressão em cima do setor é inimaginável”, declarou Mario Ghio, vice-presidente da entidade na época.

[22/12/2015 23:13:49]
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