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Charles Cosac anuncia encerramento das atividades da Cosac Naify
PublishNews, Leonardo Neto, 1º/12/2015
Catálogo de mais de 1.600 títulos tem futuro incerto

Charles Cosac anuncia o fechamento da Cosac Naify | © site da Cosac Naify
Charles Cosac anuncia o fechamento da Cosac Naify | © site da Cosac Naify
Surpresa para uns, clima de “eu já sabia” para outros, mas ninguém que trabalha no mercado editorial brasileiro ficou imune ao anúncio do encerramento das atividades da Cosac Naify. A notícia foi adiantada pelo jornal O Estado de S. Paulo ao qual Charles Cosac, um dos sócios da editora, declarou: “só o meu desejo de que ela existisse não justificaria a manutenção da editora, cujos projetos culturais se encontram ameaçados neste momento”. Com 19 anos de existência, a Cosac acumulou em seu catálogo 1.600 títulos, que agora têm futuro incerto. Charles Cosac disse ao jornal que não foi a atual crise econômica que o obrigou a tomar essa decisão e sim a sustentabilidade do seu negócio criado em sociedade com o norte-americano Michael Naify. “Eu vejo a editora se descaracterizando, se afastando daquilo que fez dela tão querida, e prefiro encerrar as atividades a buscar uma solução que possa comprometer seu passado”, disse ao jornal. De acordo com dados da Nielsen, no ano passado a participação da Cosac Naify foi de 0,69% no faturamento do mercado varejista de livros. Em número de exemplares vendidos, a participação da editora foi de 0,51%.

Os projetos editoriais da casa sempre demandaram altos investimentos, quase sempre sem garantia de retorno financeiro. O sócio disse ao Estadão que tentou fórmulas que cobrissem os prejuízos das suas edições especiais, mas que a situação atual não ajudou. Nesse ano, a Cosac tomou mesmo alternativas para tentar tornar o seu negócio mais sustentável. Entre as medidas tentadas pela empresa estão o enxugamento de 30% na folha de pagamento e a mudança de endereço do seu estoque, que saiu do Belenzinho, bairro da Zona Leste da capital paulista, para Itapevi, na tentativa de reduzir custos. Em junho, a Cosac aderiu à DLD na tentativa de reforçar a sua presença no mercado de livros digitais. Outra fórmula tentada pela Cosac foi a de criar uma coleção de literatura com obras em domínio público. “Não criei a editora para recauchutar obras em domínio público. Quero que ela termine como começou, não gostaria que ela entrasse em decadência”, disse ao jornal.

À Folha de S.Paulo, Dione Oliveira, diretor financeiro da empresa, disse que a Cosac não fechará as portas imediatamente e que não há ainda data para que isso aconteça. “A Cosac Naify vai honrar seus compromissos com clientes e fornecedores”, disse Dione à Folha.

[01/12/2015 11:33:34]
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