A importância de exportar em tempos de crise
PublishNews, Luís Antonio Torelli*, 18/08/2015
‘O impulso dos últimos anos e as homenagens ao Brasil nas principais feiras internacionais de livros não encerram um ciclo. Ao contrário, devem ser entendidos com um processo contínuo de conquista dos

A crise econômica nacional e as consequentes oscilações do mercado interno em todas as áreas de atividade reforçam a importância das vendas ao exterior. Tal cenário enfatiza o significado da internacionalização da produção editorial brasileira, promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), através do Projeto Brazilian Publishers, uma bem-sucedida parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

O próximo capítulo dessa história será escrito entre os dias 14 e 18 de outubro, na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, a maior do mundo no setor, na qual editoras brasileiras apresentarão seus lançamentos e catálogos a compradores de obras físicas e direitos autorais de todos os continentes.

Em março último, no 35º Salão do Livro de Paris, no qual o Brasil foi o convidado de honra, oito mil livros foram vendidos rapidamente em nosso estande, evidenciando o potencial das editoras nacionais para se tornarem exportadoras destacadas no setor. O sucesso de nossa produção editorial já havia se comprovado em outros eventos nos quais o País também foi o convidado de honra: Bogotá, em 2012; Frankfurt, em 2013; e Bolonha, em 2014.

A crescente aceitação de nossas obras no mercado internacional também ficou clara na Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha/2015. O movimento no estande do Brasil gerou negócios estimados em US$ 120 mil. Num horizonte de 12 meses, as vendas realizadas devem somar US$ 280 mil, incluindo livros impressos e direitos autorais.

Outro diferencial competitivo no mercado global é que as editoras brasileiras já têm apresentado projetos comerciais tanto para livros impressos como digitais. Podemos propor a venda de direitos autorais para os diferentes formatos. Também é importante a recente criação, na CBL, da Comissão para a Promoção de Conteúdo em Língua Portuguesa (CPCLP), contribuindo para estimular as vendas externas de livros em nosso próprio idioma. Em todas as frentes, estamos justificando o empenho feito pelo projeto Brazilian Publishers, de fomento às exportações do conteúdo editorial brasileiro, favorecidas neste momento pelo aumento do valor do dólar.

O impulso dos últimos anos e as homenagens ao Brasil nas principais feiras internacionais de livros não encerram um ciclo. Ao contrário, devem ser entendidos com um processo contínuo de conquista dos mercados editoriais em todo o Planeta. Temos tudo para isso, pois raros são os países com a diversidade cultural e étnica do Brasil, resultante da acolhida que os imigrantes sempre tiveram em nossa terra. Não é sem razão que nossa literatura toca a alma dos leitores de todo o mundo, como diz o slogan da nossa campanha: O Brasil lê o mundo. O mundo lê o Brasil.

Cabe-nos, portanto, multiplicar os esforços pela internacionalização de nossa produção editorial, na mesma proporção em que nos dedicamos à ampliação do hábito de leitura no mercado interno. Com empenho redobrado neste momento de crise, estamos fomentando as exportações. Felizmente, o caráter cosmopolita da brasilidade nos ajuda muito nessa empreitada.


Para Torelli, crise reforça a importância das vendas no exterior | © Divulgação
Para Torelli, crise reforça a importância das vendas no exterior | © Divulgação
*Luís Antonio Torelli é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL) para o biênio 2015-2017. Sócio fundador da Trilha Educacional, o empresário já foi presidente da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL) e representou a CBL no Conselho Nacional de Política Cultural e na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC).

Tags: CBL, Torelli
[19/08/2015 07:30:00]
Matérias relacionadas
Editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers mantêm ritmo de internacionalização e registram crescimento em eventos globais
Diretora-executiva da CBL, Fernanda Garcia detalha o funcionamento do novo serviço de numeração e identificação, o ISNI
Jornalista Joyce Ribeiro vai ser mestre de cerimônias da premiação, que será realizada no dia 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo
Leia também
Adriana Alcântara escreve artigo sobre a inclusão dos audiolivros culinários na rotina
Nova coluna do especialista Gabriel Mattos aborda o estreitamento de laços entre o editoras e as marcas de fora do mercado literário
Transição geracional é brilhantemente analisada por Claudia Goldin, professora de Harvard e a primeira mulher a vencer o prêmio Nobel de Economia de forma individual