Feira de Frankfurt e outros assuntos ultrapassados...
PublishNews, 24/10/2013
Feira de Frankfurt e outros assuntos ultrapassados

Já faz uma semana que estou de volta, mas me sentindo meio louca. Fuso horário seguido de horário de verão não bateu bem. Mas vamos ao que interessa: o que anda acontecendo no mercado digital?

Bom, depois do “bolo” do Paulo Coelho (que eu entendi perfeitamente), do mico do trio que cantava é ‘proibido proibir’ e ‘debaixo dos caracois’, vamos aos problemas operacionais que as editoras têm enfrentado ao colocarem livros com funcionalidades diversas no mercado digital. Ao contrário do restante do mundo (por isso que somos especiais, fazemos tudo diferente!), as editoras de revistas e livros infantis brasileiras começaram mais cedo do que o esperado a investir em livros animados e revistas com mil e umas novidades saltitantes. Não estamos errados, mas eu não estou elogiando a iniciativa, pois esbarramos nos limites técnicos.

Ao desenvolver um arquivo com tais funcionalidades, você não garante a leitura e a mesma experiência em todos os apps existentes no mercado. Sentiu o drama?!

Logo, se você deseja vender seu e-book em todas as lojas, e com isso abocanhar os milhares e até milhões de clientes usuários de suas respectivas plataformas, precisará adaptar os arquivos para cada loja. Não é à toa que a Apple disponibiliza uma plataforma de diagramação. Diagramação esta que terá que ser redesenhada para entrar em outra loja que não a AppleStore, afinal não faz sentido você estar em somente uma loja.

Sim, tecnologia tem seus limites, suas questões. Como livrarias tradicionais, que possuem outras tantas limitações. Às vezes alimentamos a fantasia de que o digital é infinito, imbatível e inquestionável. Não é assim. (Este é um recado para mim também! Não me acusem de incoerência, afinal o mercado é o que consumidor dita).

Como venho escrevendo há tempos: menos é mais no digital. Li há pouco numa coluna que (de acordo com estudos) uma pessoa abre, no máximo, 8 aplicativos por dia. Inclua aí a agenda, email, despertador etc. Logo, quanto mais simplificarmos e usarmos as ferramentas já existentes no mercado para colocar seu produto, melhor. Isso, salvo os casos de sistema de ensino, tem se provado real no comportamento do usuário digital, ou melhor: geração dos apontadores.

Mais uma vez, começamos pelo fim. Queremos alta performance, sem ter preparado o campo para a realização dos nossos mais loucos desejos cibernéticos. Em palavras mais claras: nós começamos o mercado do e-book e antes de pensarmos em disponibilizarmos o maior número de acervo possível, de viabilizar o conteúdo para quem procura (seja lá onde for), antes do básico começamos a trabalhar com interatividade e mil e uma funções. Fizemos isso e tivemos a triste surpresa de que até a gigantes internacionais possuem limites tecnológicos. Poxa vida...

O conselho de hoje então é mais ou menos o mesmo conselho que as blogueiras de moda* e comportamento dão: simplicidade acima de tudo. Seja enxuto nas ideias, comece do começo... nada de exageros. Seja chique e eficiente. Não carregue na maquiagem!

*Os blogs de moda, por serem muito mais viáveis, e fáceis de acessar, estão fazendo mais sucesso que revistas femininas, sabia? Até hoje minha ex-revista de moda (que eu até assinava, afinal sou mulherzinha sim senhor!) não está disponível em digital. E eu só queria ela simples, estática, no meu iPad, poxa...

*Não deixem de escrever camila.cabete@gmail.com

*Links tirados do Google images.

Camila Cabete (@camilacabete no Twitter e Instagram) tem formação clássica em História. Foi pioneira no mercado editorial digital no Brasil. É a nova Head de Conteúdo da Árvore e a podcaster e idealizadora do Disfarces Podcast.

Link para o LinkedIn

camila.cabete@gmail.com (Cringe!)

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

[23/10/2013 22:00:00]
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