Já citei aqui em minha coluna algumas vezes o quanto é ruim o truque do desaparecimento, seja por parte do freela, seja por parte do empregador. Hoje resolvi dissecar o assunto porque ele é muito importante na relação de trabalho em qualquer área.
Já sou tradutor/jornalista freelancer há alguns anos, mas antes fui editor durante muito tempo na Conrad, Pixel e Ediouro, por isso tenho uma boa visão dos dois lados da coisa. É muito chato quando o freela some.
Você tenta entrar em contato para passar um trabalho e não há resposta. Ou tem uma primeira resposta e depois mais nada. E quando o freela já está fazendo um trabalho e some é ainda pior, é claro. Preste atenção agora: desaparecer é muito pior do que atrasar o trabalho. Sim, se você mantém contato e avisa seu empregador que vai atrasar, dá tempo para que ele se programe ou tome alguma atitude. A comunicação mostra que há respeito entre as partes.
Por outro lado, também é muito ruim quando você entrega um trabalho e o seu empregador desaparece. Alguns simplesmente somem, outros ainda agradecem o recebimento, perguntam algo e, então, adeus. Cadê o pagamento? Vai saber. E o pior é que, se você não entrar em contato, pode ser que se passem meses e nada. Às vezes, nem mesmo tentando contato alguém responde. O princípio aqui é o mesmo: o freela prefere ouvir que só poderá receber daqui a dois meses do que não ouvir nada.
O que vai acontecer? Ora, a empresa não vai querer contratar mais um freela que some, principalmente se isso não for um acaso, e sim a regra, independentemente de quão bom é o trabalho dele. E da mesma forma o freela, se tiver que escolher, pegará trabalhos das empresas parceiras, que não somem, pagam em dia e por aí vai.
Portanto, a regra é clara, amigo leitor. O truque do desaparecimento é algo que deve ser evitado a qualquer custo, pois isso só demonstra falta de profissionalismo e respeito para com a outra parte do negócio.
Cassius Medauar (@cassiusmedauar) é formado em Jornalismo pela Cásper Líbero e está no mercado editorial há vinte anos, tendo trabalhado como editor (Conrad, Pixel/Ediouro e JBC), tradutor e jornalista freelancer. Fanático por quadrinhos, cultura pop em geral e esportes, traduziu coisas como Beber, Jogar e F@#er, O vendedor de armas, a série Dexter, as biografias de Michael J. Fox, Tim Burton e Lily Allen, Cicatrizes (HQ), entre outros. Nos sete anos como Gerente de Conteúdo da Editora JBC, foi responsável pela mudança de qualidade da linha de mangás e HQs da editora e a implantação de seu modelo digital (publicações em e-book e mídias sociais). Sua coluna aborda especialmente o mercado de quadrinhos e geek, mas digital, trabalho freelancer, surfe e futebol podem marcar presença.
** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.