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Curtinhos, bons e baratos
PublishNews, Roberta Campassi, 25/11/2011
E-books curtos ganham cada vez mais atenção das editoras no exterior e já aparecem no Brasil
Se no mundo analógico não faz sentido publicar livros muito curtos, contendo apenas uma história de poucas páginas, no mundo digital esse modelo parece fazer todo o sentido. Eles são chamados de mini-ebooks, short e-books, e-short books, enfim, ainda não há um único termo para designar os curtinhos. Mesmo sem nome definido, não param de surgir iniciativas de várias editoras estrangeiras para oferecer conteúdo eletrônico em “pílulas” e, no Brasil, quem abre caminho é a Editora 34 e a Companhia das Letras.

Na semana passada, a gigante Random House anunciou o selo global Story-cuts, que estreia com 150 e-books, alguns com apenas uma história, outros com mais de uma, totalizando 243 textos diferentes. Os títulos vão estar disponíveis na Apple store, Amazon e Kobo. Na Inglaterra, os preços unitários vão variar de 0,99 a 3,99 libras.

A Penguin, dias antes, havia anunciado uma ideia parecida. A coleção da editora inglesa intitulada Penguin Shorts começa a circular em 1º de dezembro, com nove obras curtas de ficção e não ficção escritas por autores da casa. Cada título tem preço de 1,99 libra e o selo deve ser adotado em 2012 pela Penguin nos Estados Unidos, para depois tornar-se uma marca mundial.

Em terras brasileiras, o primeiro projeto nessa linha foi coincidentemente lançado na segunda-feira, 21, pela Editora 34, como uma iniciativa experimental. A editora colocou à venda na Livraria Cultura 20 contos de autores russos que, em versão digital, podem ser comprados todos os juntos, por R$ 24,90, mas também separadamente, por preços que vão de 0,99 a 2,99 por unidade, dependendo do número de páginas. Há um, inclusive, sendo oferecido de graça. Todas as histórias fazem parte da obra Nova antologia do conto russo, que, na versão impressa, tem o dobro de histórias (40), 648 páginas e preço de R$ 74,90.

“A ideia de vender os contos separadamente surgiu como uma ação promocional para a versão impressa”, afirma Paulo Malta, editor-fundador da 34. Segundo ele, os textos curtos podem servir como aperitivo e suscitar o interesse dos leitores pelas outras histórias, escritas por autores russos consagrados, de várias gerações. “Temos que aproveitar essas possibilidades que as novas mídias oferecem, até porque o grosso do trabalho editorial já estava feito para a obra impressa”, diz Malta, ressaltando que esse é o primeiro e-book da 34 e que ainda não há previsão para outros lançamentos eletrônicos.

A Companhia das Letras, que se associou à Peguin para publicar clássicos da editora por aqui, não sabe se o novo selo Shorts vai desembarcar no Brasil, mas lança no começo de dezembro uma coleção de livros curtos pelo selo Penguin-Companhia. A série Grandes Ideias (Great Ideas) chega às livrarias com três títulos, tanto em versão impressa quanto eletrônica: O jornal e o livro, de Machado de Assis; Que é o abolicionismo, de Joaquim Nabuco e O mal-estar na civilização, de Sigmund Freud. As cópias físicas saem por R$ 10,90 cada e os e-books ainda não têm preço definido, mas custarão menos – e serão os produtos mais baratos do catálogo da editora. “A ideia desse projeto novo é justamente ter livros mais curtos a preços bem acessíveis”, afirma Matinas Suzuki, diretor executivo da Companhia das Letras.

Uma das primeiras tentativas de lançar e-books curtos foi da Amazon, em janeiro deste ano, quando ela criou o selo e a loja virtual Kindle Singles, um projeto que recebe cuidado especial dentro da varejista americana. As obras do Singles têm entre 5 mil e 30 mil palavras e preços que variam entre US$ 0,99 e US$ 4,99. Livros candidatos a compor o catálogo do selo passam pelo filtro do editor David Blum e, se escolhidos, enfrentam mais uma etapa de trabalho editorial. Desde o começo do ano, foram lançados 75 títulos.

Outras iniciativas criadas este ano são da Little, Brown, que vende contos da best-seller Nora Roberts em formato digital, por 2,5 libras cada, e mais uma da Random House, que vende conteúdos de até 10 mil palavras em áudio e e-book, disponíveis no iTunes, da Apple, e no site da livraria Waterstones, ao custo de 5 libras cada. O selo se chama Brain Shots.

As editoras dão várias razões para investir nesse tipo de e-book. Há o fato de que o formato ajuda a promover uma obra ou um autor, como mencionado por Malta, da 34, e também o fato de que esses conteúdos menores, mais baratos, são mais facilmente comprados por impulso.

Mas talvez o motivo mais relevante esteja nos onipresentes celulares. Ler um conteúdo longo numa tela menor que a palma de uma mão não é confortável, mas o contrário é válido para textos curtos. “Nossa sensação é que a ficção curta vai se adaptar muito bem aos telefones celulares, já que não requer o mesmo nível de atenção e pode ser lida de uma vez”, disse Tim Holman, diretor do selo Orbit, do grupo Hachette, em entrevista à revista The Bookseller.

Mauro Widman, coordenador da área de e-books da Livraria Cultura, concorda. “É muito agradável ter esse tipo de conteúdo num e-reader ou num smartphone, e também poder ler uma história com começo, meio e fim num intervalo pequeno de tempo”, diz. “É o modelo do iTunes, só que para livro”, completa, fazendo referência à bem-sucedida loja de música da Apple, que permite comprar canções fracionadas, ao invés de um álbum completo.
[25/11/2011 01:00:00]
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