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O Brasil na Argentina
PublishNews, Marcelo Barbão, especial para o PublishNews, 12/09/2011
Filba começa em Buenos Aires e recebe brasileiros no primeiro dia do evento

A Festa Internacional Literária de Buenos Aires começou sua terceira edição na sexta-feira passada, dia 9, e o Brasil é o país homenageado (no ano passado foi o Uruguai). E o primeiro dia de debates já teve participação de brasileiros. João Gilberto Noll, Santiago Nazarian e Moreno Velloso, mediados por um dos professores da cátedra de Literatura Brasileira, Gonzalo Aguilar, discutiram sobre o que é ser escritor brasileiro.

Noll já teve quatro livros publicados na Argentina, sendo que o último foi Lord pela editora Adriana Hidalgo. Nazarian ainda é inédito e Velloso… bom este é músico e tão popular por aqui que era quem falava o melhor espanhol de todos.

Não querendo diminuir a importância de cada um e sua trajetória, a mesa ficou um pouco estranha porque nenhum dos dois escritores representa tendências da literatura brasileira atual. Na verdade tanto Noll quanto Nazarian traçam caminhos bastante individualizados na contemporaneidade do país.

E não sou eu que estou falando isso, mas os próprios autores, inclusive Nazarian que apresentou um texto inicial no qual afirma que não gosta de futebol, nem de samba, vem da classe média alta e tenta ser escritor num país onde pouca gente lê.

Continuou afirmando que talvez não tenha uma visão estrangeira sobre o país e por isso prefere criar universos fantasiosos do que falar sobre o Brasil.

Noll também apontou contra a noção estereotipada do ser escritor brasileiro, sendo que uma das correntes que teve muita força e que ele não concorda é a do regionalismo. Hoje em dia, domina um realismo estético que também é bastante esmagador contra aqueles que não o seguem. Segundo ele, existe um paradigma na literatura brasileira que é o livro A paixão segundo G. H., de Clarice Lispector.

Apesar de se verem como um pouco “alienígenas” dentro do universo literário, uma das coisas que mais o animaram foi quando falaram sobre a paixão que os liga à língua portuguesa. Mesmo que seja para distorcê-las.

Noll citou como o autor argentino Ernesto Sábato como um de seus preferidos, principalmente o livro de ensaios El escritor y sus fantasmas.

A outra atividade do sábado foi um painel que reuniu o escritor holandês Cees Nooteboom, a japonesa Minae Mizumura e o argentino Martín Caparrós. Esse trio teria pouco a ver entre si a não ser pelo fato de que são escritores que vivem (ou viveram) em países com outras línguas (o nome do painel foi exatamente Viver em outro idioma). Seria um assunto muito interessante para mim, que vivo em outro idioma, mas foi uma daqueles painéis soltos sem um objetivo muito definido. Afinal, não eram escritores que escreviam em outro idioma, mas somente pessoas que viveram ou vivem em outros países, pessoas que por acaso são escritores.

Se não fosse a simpatia e o bom-humor de Nooteboom, o painel seria mais desastroso do que foi.

[12/09/2011 00:00:00]
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