Publicidade
Falando de bibliotecas de forma animada e nada apocalíptica...
PublishNews, 08/09/2011
Bibliotecas digitais

Nesta última segunda e terça, tive o prazer de assistir a um colóquio sobre e-books com foco em bibliotecas, promovido pela Biblioteca Nacional, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. E foi com muita alegria que vi que mundialmente existe um movimento muito grande na direção dos e-books. Ouvi bibliotecários e curadores de diversas instituições da França, Reino Unido e de Colônia, na Alemanha. No final desta coluna, colocarei os links interessantes.

As bibliotecas convidadas já fazem o uso dos e-books em empréstimos. E com alegria posso anunciar que a empresa que trabalho (Xeriph) está implementando esta mesma tecnologia aqui no Brasil. Funciona bem parecido com o empréstimo de livro físico: a biblioteca compra exemplares do provedor de conteúdo, o exemplar fica na página da biblioteca com um botão de empréstimo e outro de fila de espera. Os livros são empacotados com o DRM do provedor e abertos no login e senha do leitor. O livro fica emprestado, sob licença, por mais ou menos sete dias e depois volta para a biblioteca e é disponibilizado para o próximo da fila. Fantástico! Desculpe, mas não consigo não demonstrar minha animação...

As maiores dificuldades enfrentadas pelas bibliotecas que já dispõem deste serviço tcharam... adivinhem... foi convencer os profissionais a usarem e incentivarem o público com o novo formato e também com a informação e divulgar o serviço aos leitores. Todos falaram da importância do marketing interno das bibliotecas. Senti um certo desconforto na plateia formada por bibliotecários e, pelas perguntas do debate, percebi que estão bem fora do assunto e-book. O profissional que começar a se aprofundar agora se destacará. Fica aqui também a questão a discutir da formação destes profissionais. Acredito que as cadeiras acadêmicas também tenham que passar por uma completa reformulação.... nossa...um trabalhão...

O curador da British Library, que por acaso é um brasileiro, cearense muito simpático, nos passou o sistema e também se queixou muito das editoras no que diz respeito à demora na disponibilização de títulos em formato digital e na cobrança dos "exemplares" para as bibliotecas. Perguntei ao curador da Biblioteca de Colônia quanto eles pagavam pelas obras ao agregador de conteúdo, e ele me disse que era o mesmo valor do um exemplar de papel, e que a biblioteca comprava somente um exemplar de cada título. Já o curador conterrâneo do British Library disse que algumas editoras cobravam um valor maior pelo exemplar, outras cobram a recompra do exemplar a cada 26 empréstimos, pois dizem que este é o tempo que um livro impresso dura na biblioteca (ninguém entendeu como chegaram a este número).

O balanço final do encontro foi positivo (lá vem a minha mania de ver as coisas sob um aspecto positivo). Mas foi sim. A primeira coisa que me animou foi que temos tecnologia brasileira desenvolvendo isso. A segunda é que uma biblioteca agora pode ter um alcance muito maior que antes, pois eu posso ser assinante da British Library, da Biblioteca de Nova York e pegarei constantemente livros emprestados da Biblioteca Nacional (espero que implementem o sistema logo logo), sem precisar ir ao centro do Rio e perder um tempão no congestionamento. A renovação dos profissionais de bibliotecas também me anima, pois eles só têm a acrescentar se aproximando deste novo mercado eletrônico, afinal continuaremos necessitando de curadores e direcionadores de cultura. Não tem máquina que substitua esse papel.

Agora eu pergunto a você: isto é ou não é a democratização da leitura?

Temos ainda muito o que evoluir, mas cobrar do governo a banda larga em nosso território, com computadores e tablets, acreditem, é muito mais barato que este sistema inchado e atrasado de distribuição de livro de papel em nosso país com dimensão continental. Podemos posteriormente falar deste sistema, que soube faz pouco tempo e fiquei apavorada com a problemática da logística... É de dar pesadelos.

Abaixo disponibilizarei links interessantes de bibliotecas e continuo divulgando meu e-mail para feedbacks e trocas de informações. Até a próxima quinzena!

camila.cabete@gmail.com

Biblioteca Digital Universitária da França - http://couperin.org

Provedor do governo alemão de livros digitais - http://www.divibib.com

British Library - http://www.bl.uk

Biblioteca de Hampshire - http://www3.hants.gov.uk/library.htm

Projeto Observatório Nacional e-book - http://observatory.jiscebooks.org/

Plano estratégico para 2020 - http://www.bl.uk/2020vision

Aplicativo British Library de assinaturas de obras digitais - http://bit.ly/II2BfQ

Agregadora brasileira de e-books - http://www.xeriph.com.br

Camila Cabete (@camilacabete no Twitter e Instagram) tem formação clássica em História. Foi pioneira no mercado editorial digital no Brasil. É a nova Head de Conteúdo da Árvore e a podcaster e idealizadora do Disfarces Podcast.

Link para o LinkedIn

camila.cabete@gmail.com (Cringe!)

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

[07/09/2011 21:00:00]
Leia também
O 'mundo de 2025' ficou obsoleto antes mesmo de se consolidar; ainda assim, insistimos em respostas simples para problemas complexos
Qualquer passo é melhor do que se fechar na negação ou ficar girando em círculos de demonização do novo
Em novo texto, Camila Cabete fala sobre a importância de se abrir para o novo e entender antes de julgar
Em novo artigo, Camila Cabete compartilha o que viu e ouviu durante sua primeira visita aos Emirados Árabes Unidos
Em sua coluna, Camila Cabete fala sobre os recentes avanços tecnológicos e reforça que antes de criticar, é preciso se aprofundar no assunto
Outras colunas
Toda semana, uma nova tirinha
Espaço publieditorial reúne informações sobre livros lançados por editoras, forma independente ou autopublicados
Iniciativa fez um mapeamento de todas as pessoas que trabalham e atuam com quadrinhos e/ou humor gráfico no Brasil e ouviu Lucio Luiz e Paloma Diniz, dois experts no assunto
"Hoje quero falar sobre um outro aspecto estratégico do mercado, a discoverability, ou a possibilidade de seu livro ser encontrado em uma loja online", diz o colunista. Leia!
Todas as sextas-feiras você confere uma tira dos passarinhos Hector e Afonso