Publicidade
Filba será anual. E que a Sudestada não atrapalhe mais!
PublishNews, Marcelo Barbão, 13/09/2010
Milton Hatoum, Luiz Ruffato e Teixeira Coelho foram os representantes da literatura brasileira nesta edição da festa argentina

Na semana passada, Buenos Aires recebeu diversos escritores estrangeiros para a segunda edição edição do Festival Internacional de Literatura en Buenos Aires. Quem quer comparar com a Flip brasileira, deve desistir. Além de existir há mais tempo e mobilizar toda uma cidade, a prima brasileira conta com muito mais patrocínio por causa das leis de incentivo fiscal.

A festa argentina é mais pobre – mas o serviço de hotelaria e restaurantes é melhor. A primeira Filba aconteceu em 2008 e ficou concentrada no Malba onde, além do auditório, foi montada uma grande tenda nos belos jardins que cercam o museu.

A vantagem da primeira edição é que foi realizada em novembro, quando o clima é bem mais agradável. Tomada pela Sudestada (o vento sul que sopra da Antártida trazendo chuva, enchentes e frio), a cidade de Buenos Aires não estava muito convidativa e talvez isso seja a justificativa para a aparente queda de público. Outro fator também é a dispersão das atividades: além do Malba, quatro livrarias (Eterna Cadencia, Fedro, Boutique del Libro, Clásica y Moderna), a Villa Ocampo (antiga casa da editora Victoria Ocampo que hoje é um centro cultural) e a Fundación Proa (um espaço de arte) receberam os mais de 30 eventos que aconteceram de 1º a 5 de setembro.

Os brasileiros estiveram bem representados: Milton Hatoum – talvez o escritor brasileiro contemporâneo que mais sucesso faz no exterior –, foi entrevistado pela “brasilianista” Florencia Garramuño que além de dar aulas na Universidad de San Andrés também coordena a coleção de literatura brasileira Veredas Brasil pela Editorial Corregidor e traduziu Grande Sertão: Veredas. Além da apresentação da obra de Hatoum, publicado aqui na Argentina pela editora Beatriz Viterbo, a conversa também tratou das distâncias culturais entre os dois países – e, principalmente, por que a literatura brasileira tem dificuldades em chegar aqui.

A participação de Luiz Ruffato também foi bastante interessante, apesar de que a mesa não ajudava muito já que era formada por três argentinos, além do brasileiro, e havia uma tendência a discutir a literatura local. Mesmo assim, Ruffato conseguiu se impor e apresentar suas ideias. Terminou lendo em português um trecho de seu livro Ellos eran muchos caballos, lançado aqui há pouco pela editora Eterna Cadencia.

Por fim, Teixeira Coelho participou de uma interessante discussão sobre políticas culturais, contrastando a situação brasileira com a argentina e a mexicana.

Quanto aos uruguaios, entre os muitos que tomaram de assalto essa outra margem do Rio de La Plata, dois são especiais para os argentinos nesse momento: Onetti e Mario Levrero. O primeiro é bastante conhecido no Brasil, com alguns livros recém-lançados; o segundo ainda inédito, para azar nosso.

Além de entrevistas e debates, a Filba contou com workshops de Contos, Criação Literária e Poesia, bastante procurados pelo público. As noites eram fechadas com apresentações musicais e leituras poéticas.

No final da última palestra, domingo à noite, em pleno bairro de La Boca, perguntei a um dos organizadores se era verdade o boato de que a partir desse ano a festa seria anual e a resposta foi positiva. Esperemos até 2011.
[13/09/2010 00:00:00]
Leia também
Iniciativa promete​ reunir, organizar e dar visibilidade a eventos literários de diferentes formatos realizados em todo o país, como feiras, festas, bienais, festivais e circuitos
Com contos de Paula Gicovate, Marcelo Moutinho, Erika Neves, Rogério Athayde e Janaína Nascimento, coleção reúne diferentes vozes e estilos
Publicação reúne estabelecimentos familiares e oferece cupons de desconto, eventos, passeio guiado e palestra até junho