O romance de Reni Adriano, Lugar (Tinta Negra, 112pp., R$ 29), um dos lançamentos de estreia da Tinta Negra Bazar Editorial, terá sessão de autógrafos na noite desta quinta-feira, 28 de janeiro. A partir das 19h, o escritor estará na Livraria Cultura Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 - Bela Vista. São Paulo/SP), apresentando o título que tem como cenário o arcaico dos rincões. No lugar de tramas atravessadas por referências tecnológicas cotidianas - telefones móveis, canais a cabo, infovias -, o que permeia a narrativa é a aparição assombrada de peças do imaginário mítico-popular brasileiro, com suas mulas-sem-cabeça, curandeiros e mata-gatos. Foi com este livro que o mineiro radicado em São Paulo, de apenas 28 anos, conquistou o Prêmio Minas Gerais de Literatura, na categoria Ficção, em 2009. E é com ele que tem arrebatado elogios de grandes nomes da área, como os escritores Luiz Ruffato – que assina a orelha desta edição –, Cristóvão Tezza e Marcelino Freire.
Na narrativa, prevalece o olhar de dois meninos: Inácio e Gaio, representantes de gerações distintas. É com a delicadeza e os sustos de sua percepção que a trama vai desnudando a violência de um cotidiano agreste, no qual a morte é presença indelével. E a esses dois protagonistas cabe a tarefa de recolher os fiapos de sua própria história. “Minhas personagens se recusam a lembrar, e esta é a principal morte do livro. A memória vai se apagando: é o triunfo da morte”, explica o autor. “Em Lugar, há momentos em que a linguagem de repente se torna carne, se torna terra, se faz a própria geografia”, descreve o autor. “Os corpos das personagens parecem parir um dizer impossível quando elas falam. A cultura oral permite isso, essa sensação concreta da palavra. Além disso, é um dizer que jamais define a coisa apontada, é um nomear que, quando nomeia, na verdade está perguntando como se chama”, traduz Adriano.
