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Mercado porta a porta segue faturando
PublishNews, Alexandre Malvestio, da Ag. Brasil Que Lê, 28/04/2009

A estudante Kelly Cristina Pereira de Oliveira Lissoni conheceu o vendedor Ivan Netzker Gama no ano passado, quando ele bateu à porta de sua casa, em Campinas, interior de São Paulo. Deficiente visual, Kelly fez Gama prometer que, quando voltasse, traria uma bíblia em Braille para lhe vender. Mas a menina não precisou pagar pelo livro. Alguns meses depois, ela recebeu o Gênesis e os Salmos da Bíblia no formato braille e o Novo Testamento em MP3 das mãos do mesmo vendedor. A exemplo de Kelly, autora da redação que conta a história da visita inesperada, e uma das vencedoras do concurso “O amigo do meu melhor amigo”, organizado pela Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), a maior parte dos brasileiros não imagina que ainda exista uma legião de caixeiros-viajantes vendendo livros de porta em porta pelo Brasil adentro. De acordo com a Pesquisa do Setor Porta a Porta, divulgada em novembro do ano passado, em 2007, o setor faturou, por meio dos associados da entidade, R$ 650 milhões.

Com base em informação de que, do setor porta a porta, 70% são associados da ABDL, a entidade estimou, partindo da premissa de que os não-associados têm perfil similar aos associados, um faturamento global de R$ 930 milhões no ano passado. O setor vendeu, no período, cerca de 65 milhões de livros. Estima-se que o porta a porta tenha mobilizado, em 2007, quase três mil pessoas, exceto no ramo de vendas. É que um mesmo vendedor de livros pode ter mais de um fornecedor, inclusive de diferentes ramos. Portanto, de acordo com a ABDL, não faz sentido somar as quantidades de vendedores por conta da superposição. Separadamente, o levantamento mostrou que os editores do segmento contam com 1.292 vendedores empregados, os atacadistas com 2.738 e os crediaristas com 5.476.

De acordo com o presidente da ABDL, Luís Antonio Torelli, o segmento do livro porta a porta é fundamental para o fomento à leitura no Brasil. “Nada foi descoberto que substitua esses homens e mulheres que atravessam o País divulgando o hábito de ler”, afirma. O presidente diz que os resultados da Pesquisa do Setor Porta a Porta já permitem à entidade traçar planos estratégicos para o setor quanto à sua eficiência e lucratividade. De acordo com Torelli, a ABDL está desenvolvendo, juntamente com o Ministério do Trabalho e Emprego, um programa para formar vendedores de livros porta a porta. Além de preparar novos profissionais para a atividade, o programa vai capacitar vendedores que já atuam no setor.

Em outubro do ano passado, a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro 2007, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel), mostrou que a participação do segmento porta a porta no total de livros vendidos pelas editoras foi de 9,6% em 2007. O número representa uma evolução de 91,3% em relação ao ano anterior. Em tempos de internet, a pesquisa mostrou que quase 20 milhões de exemplares foram vendidos pelas editoras a vendedores porta a porta, o que faz dele o terceiro canal de vendas mais importante para as editoras, ficando atrás apenas das livrarias e dos próprios distribuidores.

(‘Brasil Que Lê – Agência de Notícias’)
[28/04/2009 00:00:00]
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