O papel das editoras universitárias continua sendo um papel estratégico. Além de editar o que dificilmente outros editores publicariam, pois trata-se, na maioria das vezes, de assuntos restritos, são elas que abrem novos caminhos, apresentam outras soluções, promovem o desenvolvimento tecnológico e científico. Outro papel fundamental das editoras universitárias é a sua responsabilidade social. A universidade é responsável, além da educação, pela definição de políticas que gerem a melhoria da qualidade de vida e o bem-estar das pessoas. Através das editoras, que seguem linhas editorias definidas por conselhos qualificados, os livros oferecidos ao leitor buscam contemplar esses conceitos. Conscientes desta enorme responsabilidade os editores acadêmicos tem-se inserido cada vez mais no mercado editorial global buscando ocupar espaços para divulgação e comercialização de seus livros, especialmente através da ABEU (Associação Brasileira das Editoras Universitárias) que tem sido a facilitadora e promotora de muitos eventos. Grandes avanços já foram sentidos nos últimos anos, mas tem muito chão pela frente.
As editoras universitárias também exercem papel de destaque na definição de políticas públicas para o livro e leitura em curso no País. Trata-se de promover a cultura como um todo, em que os livros acadêmicos atuam como instrumentos fundamentais para efetivação de valores, de conceitos e de práticas culturais e científicas. São eles os catalisadores do saber entre a universidade e a sociedade. Vivemos um momento bastante positivo no mercado editorial. Atribuo isso, em parte, ao entendimento das lideranças do livro de que precisamos trabalhar, cada vez mais, de forma integrada e unida. Os profissionais do livro das áreas criativas, produtivas e distributivas precisam formar um só bloco em seus pleitos e projetos. Quanto mais unida for a classe, mais força teremos para transformar a comunidade numa sociedade de leitores e colocar o livro nas principais pautas políticas deste País. Não temos tempo a perder. Temos que deixar de concorrer entre os pares. Nossos concorrentes são os que trabalham com outros produtos que não seja o livro e que levam o nosso público leitor para outros interesses. Portanto, colegas do mercado editorial (editores, livreiros, autores e distribuidores), sigamos de mãos dadas para promover o que mais queremos e no que mais acreditamos para alcançarmos o status de País de primeiro mundo, ou seja, o livro e a leitura. (Agência Brasil Que Lê)
Valter Kuchenbecker é presidente da Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU) e diretor da Editora da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA).


