Das estradas para as prateleiras (depois de lavar, é claro)
PublishNews, 17/08/2004
"Impresso em junho de 2004, nas oficinas da Gráfica Alaúde, com miolo em papel Linage 120 g/m2..." Assim começa o colofão do livro Vida Útil do Tempo (Escrituras, 112 pp., R$ 49), do poeta Raimundo Gadelha. Até aí, tudo bem. Mas o texto continua: "Capa dura revestida com lona de caminhão usada, estonada pela lavanderia Acqua Doce, e com impressão em serigrafia, feita pela Arte Oficina." É isto mesmo. O departamento de produção da Escrituras abusou da criatividade e criou um belo e inusitado livro para os poemas de Gadelha. A busca pela essencialidade e pelo sentido da vida permeia A Vida Útil do Tempo. "Um dia o Eu vai alcançá-lo (o sentido da vida). Enquanto isso, a busca continua, é dela que o Homem se alimenta." No prefácio, Nelly Novaes Coelho trata o título da obra como "ambíguo, que tanto sugere a utilidade do tempo vivido, quanto a validade da vida em sua duração temporal". Essa dualidade de sentidos enriquece ainda mais a obra. Além da capa dura inusitada, merecem destaque o projeto gráfico e as ilustrações, que sempre procuram passar a idéia de tempo e de envelhecimento.


